domingo, abril 24, 2005



Fotografía de Biliana Rakocevic publicada por Photo.net


Black Oblivion

Só agora posso ver o mundo ao meu redor. De fato, enxergo-o com outros olhos depois do maremoto; como se a onda arrancasse dos meus olhos a venda e do meu corpo a proteção.
Meus olhos doem e a luz me cega, as cores incomodam e os sorrisos parecem falsos. Como máscaras venezianas, com seus olhares vazios, as pessoas ao redor me encaram e seus rostos se contorcem em gargalhadas macabras.
O som estridente das risadas parece querer furar-me os tímpanos. Estremeço.
Desejo esquecer. Desejo recolocar minha máscara, minha cúmlice venda negra que me impedia de sofrer tanto de sentir medo, de sentir o gelo destes olhares, a aspereza dessas risadas, a dor que essas cores todas me causam.
Encolho-me.
Sinto frio aqui, neste mundo de gelo, cercada por seus rostos mascarados, gelados, inexpressivos. As lágrimas que me escorrem pelo rosto congelam ao sopro do vento. Lábios cianóticos, contraídos, segurando o grito, engolindo o choro.
Gargalhadas ecoam em meus ouvidos, arrepios percorrem meu corpo. Gargalhadas, gritos, alto. Mais alto! Ensurdecendo-me.
Frio...
Desejo o esquecimento. O mais completo esquecimento. A negra escuridão do esquecimento.
Reset me. Please.

posted by comawhite @ 3:49 PM


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Posted by Hello